segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Acreditando num Sonho


Ontem, dia 26/02/2012, tivemos as 2 primeiras aulas do “Pandora Curso Profissionalizante – Especialização em Dança Oriental”. Uma idéia que nasceu de um bate papo informal em 2008 entre mim e Soraya Smaili do ICArabe (Instituto de Cultura Árabe). Nas nossas conversas e discussões enquanto eu cuidava de suas madeixas (sim, eu já fui cabeleireira também), percebemos a necessidade de disponibilizar e promover o acesso a informações pertinentes à cultura árabe para os interessados nas danças uma vez que o número de pessoas praticando, ensinando e procurando a chamada dança do ventre e danças folclóricas árabes é cada vez mais crescente.

Lançamos um curso para o público em geral, mobilizamos professores, meios de divulgação e local, mas daí veio a decepção, não houve quórum suficiente para a realização do curso. Ficamos tristes, realmente chateados e por um momento desistimos. Mas a idéia não queria sair da minha cabeça.

Em 2009, quando resolvi que deveria dedicar minha vida profissional exclusivamente à dança, mergulhei de cabeça, e não parei mais, até que em 2010 abri minha própria escola. O retorno foi mais rápido do que eu imaginei, e então aquela idéia começou a ficar mais forte e constante em mim. Pensei e repensei, refleti, analisei o que foi que deu de errado daquela vez e o que poderia dar de errado novamente, e assim reformulei toda a estrutura e foco do curso.

Desta vez o curso seria direcionado para a profissionalização da dança, uma espécie de pós-graduação para aquelas que já fazem parte do universo das danças orientais e queiram se aprofundar ainda mais no assunto. Seria um curso longo, com carga horária extensa e grande parte teórica. Haveria também um processo de seleção e requisitos mínimos para participação. Nossa, parecia que eu estava dificultando ainda mais a realização do curso. Comentei com algumas pessoas e várias me disseram que não ia dar certo, que não havia uma preocupação por parte das bailarinas em realmente aprender os aspectos históricos e culturais da dança, que ninguém iria se comprometer num curso tão longo, que hoje em dia as pessoas preferem gastar em celular e marketing pessoal do que em aprendizado! Fiquei refletindo sobre tudo isso, mas pensei bem e resolvi tentar mais uma vez.

Acreditei no meu projeto, queria de verdade proporcionar para as pessoas um curso com conteúdo rico, com profissionais sérios e comprometidos com a cultura árabe. Um curso que realmente fizesse a diferença na vida destas pessoas, não só como bailarinas e professoras de danças orientais mas também como admiradoras da cultura árabe.

Apresentei novamente o projeto à diretoria do ICArabe, que me recebeu com braços abertos e me deram todo o apoio necessário. Fiz alguns ajustes e lancei a divulgação em outubro de 2011. Para minha surpresa, no final de novembro as vagas já haviam se esgotado e havia lista de espera.

Ontem, tivemos nosso primeiro encontro de muitos, e observar todas as alunas, durante as mais de 6 horas de duração, com olhos ávidos por conhecimento e atenção redobrada a cada palavra dos professores num domingo ensolarado (35 graus), as dúvidas mais do que pertinentes, a pontualidade e respeito a tudo e todos e o clima de satisfação e contentamento de todas me deixaram realmente realizada.

Fiquei feliz por ter acreditado no meu sonho! Pois o sonho deste curso vai além da realização das aulas, vai além da satisfação do ego. A realização deste curso representa para mim o primeiro de muitos passos, passos estes que objetivam transformar o universo limitado da dança do ventre e todos os estereótipos, preconceitos e distorções que ele carrega no universo das danças orientais, danças de uma beleza e conteúdos infinitos e que acima de tudo está inserida numa cultura milenar e riquíssima.

Agradeço a todos aqueles que tornaram este sonho possível (alunos, professores e parceiros), e espero que este seja o primeiro de muitos cursos e muitos passos!

Leia também a entrevista dada ao site do ICArabe por mim sobre o curso - clique aqui

Encontre mais informações sobre o curso na página de Cursos Especiais


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Entrevista com Fadua Chuffi


Estamos lançando neste próximo sábado, dia 25/02 das 10h30 as 12h30, a 5ª edição do Curso de Dança Oriental com a bailarina de renome internacional Fadua Chuffi!

O curso é destinado a estudantes e bailarinas nos níveis avançado e profissional de Dança do Ventre. Nos módulos anteriores foram desenvolvidas coreografias nos estilos baladi e percussão árabe. Neste próximo módulo o foco é uma coreografia de dança clássica oriental! Sequências criativas e técnicas avançadas fazem parte do curso!

Não perca esta oportunidade de aprimorar e refinar sua dança! Saiba mais sobre esta grande bailarina conferindo esta exclusiva entrevista cedida ao nosso blog.


ENTREVISTA COM FADUA CHUFFI
 BlogPD -  Fadua, você sempre se dedicou às danças, estudou diversos estilos e modalidades, o que te fez escolher a dança oriental?
Fadua - Em primeiro lugar está a minha descendência de libaneses por parte de pai, o que favoreceu meu interesse em relação aos diferentes aspectos da cultura do Oriente Médio e, logicamente me fascinei pelas maravilhosas músicas e danças desta cultura. Meu pai me contava como meu avô dançava Dabke nas festas e casamentos com os “patrícios” que também imigraram para o Brasil, e que estas comemorações duravam até três dias. Certa vez, praticando ballet na sapatilha de ponta, senti uma dor intensa na sola do pé. Consultei um médico e descobri que era uma tendinite, forçosamente tive que me afastar aproximadamente três meses do forte trabalho dos pés no ballet. Na academia Mileidi, onde comecei estudar ballet clássico e mais adiante aos 14 anos a dar aulas de clássico e tap dancing, ficava assistindo algumas professoras de dança oriental e ficava encantada. Na época eram elas Fatima Fontes e Karima.

Blog PD - Como foi o seu primeiro contato com a dança do ventre e o que te motivou estudá-la no exterior?
Fadua - Foi fascinante! Comecei a estudar com a Fatima os movimentos básicos de torso e cadeiras, já que não podia forçar os pés. Foi amor à primeira vista (no caso primeira aula, rsrsrsrs) e depois sozinha  ficava estudando e analisando vídeos. Decidi que essa era a dança que eu queria para sempre, então através de uns conhecidos que tinham parentes nos Estados Unidos, fiz contato com escolas de dança em Nova Iorque pois queria me aprofundar nos estudos. Ali o ensino e o estudo da dança são bem fortes e disciplinados, uma excelente escola para toda a vida. Graças a Deus e ao destino, consegui excelentes contatos e estudei com professores de grande prestígio como Ibrahim “Bobby” Farrah (descendente de libaneses), Ghassan Fadlallah (ex-primeiro bailarino do grupo Caracalla) e Yousry Sharif, artista e coreógrafo egípcio mundialmente renomado pelo seu excelente trabalho. Na verdade a primeira aula que vi em grupo foi a de Ibrahim “Bobby” Farrah e, até hoje me lembro da música e da força da coreografia que estava sendo ensinada; para mim era quase como uma nova e autêntica forma de interpretar a música e dança oriental.

Blog PD -  O seu currículo é rico no estudo da dança com grandes mestres como Yousry Sharif, Ibrahim “Bobby” Farrah, Ghassan Fadlallah, Mahmud Reda, Shokry Mohamed, Aida Nour e Ragia Hassan, no que você acha que foi de mais importante para o seu aprendizado este contato e qual destes grandes mestres te marcou mais e por quê?
Fadua - Não posso dizer que apenas um mestre me deixou marcas, pois de cada um deles aprendi não apenas a técnica e a disciplina, mas também conselhos e palavras que me serviram e servirão para toda a minha vida profissional. Posso dizer que cada um deles me ajudou e continua ajudando em momentos e danças diferentes, por exemplo: para montar coreografias e senti-las em minhas entranhas me inspiro muito em Bobby e Yousry; penso no sentimento da mulher egípcia relembrando Aida Nour e Ragia; a força do povo egípcio no Yousry; a sabedoria e picardia no Shokry; e já a força terrenal do folclore me inspira nos ensinamentos de Ghassan.

Blog PD -  O espetáculo “Jardin de La Danza” do bailarino Shokry Mohamed marcou uma geração inteira de bailarinas nos anos 90 e foi pioneiro em levar a dança oriental em grande estilo para os palcos aqui no Brasil. Como foi dirigir, produzir e atuar neste espetáculo que contou com um grande elenco de bailarinas profissionais e músicos?
Fadua - Claro que devo dizer que foi uma grande conquista e realização profissional por detrás de um árduo trabalho. Dediquei-me intensamente ao projeto junto a todo o elenco envolvido. Trabalhar com Shokry Mohamed não apenas aqui, mas também na Europa foi para mim o equivalente a uma pós-graduação. Shokry já não esta mais neste mundo, mas sei que deixou seus ensinamentos, sabedoria e forma única de ser gravados em cada um de nós.  Tenho certeza que a empenhada e vitoriosa equipe que participou deste grande espetáculo deve dizer o mesmo, relembrando este momento de nossas vidas com carinho.

Blog PD - Você passou um longo período em carreira internacional, conte-nos um pouco como foi este convite, como a dança é tratada lá fora e o que isto te acrescentou como bailarina de dança oriental.
Fadua - Como já disse antes, fui desenvolver meus estudos em Nova Iorque (USA), e ali mesmo, após uns dois anos de idas e vindas, comecei a apresentar-me e mais adiante surgiu à oportunidade fazer uma temporada em Andalucia (Espanha), precisamente em Sevilha. De ali em diante, com meus esforços e apoio de meus pais, aos quais sou muito grata por tudo; e também com a ajuda de um Ser maior abrindo meus caminhos, fui ampliando e cruzando fronteiras com minha arte, chegando também a países do Oriente Médio. Posso dizer que comparando com o Brasil, em muitos lugares o reconhecimento do trabalho de um artista bailarino é muito maior, somos levados mais a sério.



Blog PD -  De volta para o Brasil, como você percebe a dança oriental aqui atualmente e quais são os nossos pontos fortes e os pontos a melhorar em relação ao exterior?
Fadua - A dança oriental cresceu muito em muitos aspectos.  As pessoas aqui já possuem bons referenciais e, portanto estão desenvolvendo um gosto mais requintado e crítico pela dança. Infelizmente ainda falta muita união entre as profissionais, humildade para aprender e seriedade para ensinar.

Blog PD -  Você foi praticamente a pioneira no Brasil em utilizar o termo “dança oriental” no lugar de “dança do ventre”. No seu entender, qual seria a diferença?
Fadua - Tenho bem claro como estudante da língua árabe, que o nome desta dança neste idioma é “dança oriental”. Minhas pesquisas puderam comprovar que este nome faz referência ao conjunto de expressões que caracterizam o povo oriental e não às partes do corpo.  Esta dança possui influências de diferentes povos que habitaram e mantiveram intercâmbio no Oriente Médio, muito deles não árabes. Outro motivo é que não dançamos apenas com o ventre, basta assistir uma bailarina de dança oriental com bom nível artístico e técnico para comprovar o que estou dizendo. Para esclarecer ainda mais, o nome dança do ventre foi criado por ocidentais através da má interpretação destes viajantes e das diferenças encontradas na forma de dançar do Ocidente, tornando-se mais adiante um nome exclusivamente comercial e pejorativo para os sérios profissionais.

Blog PD -  Em abril/2012 você estará participando de um grande festival de dança que ocorre na Espanha a convite da organização. Conte-nos um pouco sobre este evento e qual será o seu papel nele.

Fadua - Este festival acontece em Jaén (Espanha) e já esta na sua nona edição. O Bellysurdance é considerado o maior festival do gênero na região de Andalucia, tanto pela organização, seriedade dos organizadores, apresentação e escolha de artistas, quanto pelo conteúdo ensinado pelos professores. É apoiado pela prefeitura local e esta localizada em uma das principais províncias que contribuiu com a história árabe andaluza. Eu já havia trabalhado com a organizadora deste festival na mesma cidade. Este ano regresso ao evento, junto a outros professores de renome que ali estarão, como professora e bailarina fazendo também uma apresentação.
   
Blog PD -  Como é para você ser referência mundial quando o assunto é dança oriental?
Fadua - Nossa! Quando me falam isso sinto uma grande reponsabilidade, imaginando como deve ser a visão das pessoas desde fora. Não tenho a intenção vaidosa de sê-lo, porém se isto acontece, só posso sentir gratidão a todos estes anos de dedicação, luta e perseverança. Sei que nasci para dançar e ensinar, dançar para mim é respirar. Respirar fisicamente, mentalmente e espiritualmente.  Portanto sinto que minha missão é contribuir para o desenvolvimento e evolução da dança, transmitir conhecimentos, e ao dançar trazer luz e alegria ao mundo.

Blog PD -  Fadua Chuffi é seu nome verdadeiro, conte-nos um pouco sobre como sua descendência influenciou na sua dança.
Fadua - Meu nome completo é Esther Fadua Bazile Chuffi (uma mistura de libaneses do sul e italianos do sul). Fadua era o nome de minha avó paterna.
No princípio da entrevista falei sobre como meu pai me contava como era a vida com seus pais (meus avós), que eram imigrantes e que só falavam em árabe. Como minha avó fazia as comidas, o pão de folha , como rezavam, e coisas do cotidiano que talvez por genética, me instigavam a curiosidade para saber mais e mais, imaginando quantas horas eu estaria ao lado destes avós se os tivesse conhecido, perguntado sobre a vida deles no Líbano, já que vieram a falecer muito antes do meu nascimento. Quando estive no Líbano pude conhecer toda a família e “matar” a curiosidade!(rsrsrsrs)
Portanto acredito que toda esta carga genética continua influenciando sobre o amor, o respeito e o orgulho pelas raízes. Também acredito no destino, como se diz em árabe “MAKTUB ALA JIBIN (ESCRITO NA TESTA)”.

Blog PD -  Qual conselho você daria para as bailarinas e estudantes de danças orientais aqui no Brasil?
Fadua - Que tenham bem claro que muito mais do que apenas uma dança, esta modalidade esta inserida em uma cultura que deve ser respeitada e entendida. Claro que muitas mulheres podem fazer a prática desta dança apenas como uma terapia física e/ou emocional, pois curiosamente detrás de toda a história que ela possui e da região de onde provém, ela possui uma linguagem universal do feminino, sendo praticada e apreciada por mulheres de distintas regiões do planeta.
 Que estudem e pesquisem em fontes seguras sobre a cultura do Oriente Médio, ouçam muita música oriental de boa qualidade, aprendam os ritmos que são fundamentais para dançar com fluidez,  investiguem sobre a história, e se possível até o idioma, ou qualquer maneira que tenham de aproximar-se da cultura.
A célebre bailarina Nadia Jamal dizia que para ela artista é sinônimo de aprendiz e que devemos aprender também outras modalidades de dança, música, teatro, etc... Quanto maior nosso conhecimento, mais rica será nossa expressão e interpretação ao dançar. A dança exige além de um bom professor, muita dedicação, disciplina e esforço.


Confira a coreografia de percussão que Fadua desenvolveu no último módulo do curso e foi sucesso no Show - Gala Extravaganza organizado em Dezembro de 2011 pela bailarina Débora Valério.


Inscreva-se já!!!

Arte, Produção e Realização - Pandora Danças
Agradecimentos especiais a Fadua Chuffi que gentilmente nos cedeu esta entrevista!!
Temos muita honra em tê-la como uma de nossas profissionais!!

bjssss a todos
até a próxima!!!

Fiquem atentos, semana que vem publicaremos entrevista coma bailarina e pesquisadora Márcia Dib!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Benefícios da Dança – Aquele que ninguém diz

Após retornar de uma viagem para Natal/BR, quase um bate-volta (demorei mais no céu do que na terra, rssss), percebi que o maior benefício que a dança do ventre me trouxe em toda minha vida foi as minhas amizades.
Confiram o texto na íntegra no meu blog pessoal, clique aqui!!
Uma linda semana!
Cristina Antoniadis